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35 minutos de leitura
Em vias de completar 76 anos os trólebus de São Paulo têm bastante a nos ensinar e fazer refletir sobre a cidade, sobre políticas públicas e sobre nossa relação com a tecnologia. Mesmo com todas as dificuldades, o sistema – em conjunto com o do ABC Paulista – ainda é o maior da América Latina, porém não tanto pelo seu sucesso mas sim pelo descaso e desmonte de seus pares em outros países que também chegaram a ter tantos veículos e com redes tão abrangentes quanto as nossas.

Mas antes de falar sobre o trólebus no presente, e de apresentar o futuro deles, precisamos voltar no tempo e explicar, o que é um trólebus, no fim das contas?
A resposta curta seria a de que um trólebus é um ônibus elétrico alimentado por fios suspensos no ar, através de uma alavanca que é pressionada para cima com o uso de molas ou pistões. Mas para entendermos o contexto de cada aplicação dos trólebus pelas cidades ao redor do mundo temos que ir além de definições básicas.
Passado
Tecnologia
Vem-se o asfalto, vai-se o trilho.
No mundo
Novo fôlego
Crise
Presente
A revolução das baterias
O trólebus de ponta
Futuro
No dia 22 de abril coincidem duas datas comemorativas que me inspiraram a finalmente criar esse site e publicar o que penso quanto a nossas cidades, nossa nação e nossa economia, com foco nos desafios que devemos encontrar ao longo do século XXI.
Antes de sequer imaginarmos a magnitude da emergência climática da qual nos envolveríamos, ainda na virada da década de 1970, movimentos de ativistas do meio ambiente, da paz e sindicalistas da indústria automobilística se uniram, fortaleceram e culminaram naquilo que viria a ser o Dia Internacional da Terra.

Realizado no dia 22 de abril de 1970 nos Estados Unidos e com mais de 20 milhões de manifestantes nas ruas, ficou marcado na história ao trazer visibilidade a discussão do meio ambiente e da paz. Os tempos eram outros: a gasolina ainda era barata, a guerra do Vietnam rolava solta, e a noção de responsabilidade para com a natureza ainda engatinhava.
Muito mudou daquele 22 de abril para cá. A data ganhou um significado maior e com muita pesquisa e dedicação de inúmeros cientistas acabamos descobrindo o tamanho do problema em que nos encontramos. As mudanças climáticas são reais, já estão acontecendo e somos responsáveis diretos por elas.
A emissão desenfreada de gases causadores do efeito estufa na atmosfera que ocorre desde a revolução industrial desencadeou uma situação perigosa que agora temos que agir para conter.
Ao mesmo tempo, a revolução industrial foi um marco importante que trouxe uma elevação da qualidade de vida nunca antes vista na história da humanidade. É a mesma revolução industrial que permite eu ligar esse computador e escrever esse texto. Uma contradição com a qual temos que conviver e saber lidar.

Muitos podem negar a existência, ou reclamar por metas tidas como demasiadamente draconianas, porém a emergência climática é real e temos que fazer alguma coisa antes que chegue em um ponto de não retorno.
Porém ao superar a fase da negação nos resta duas opções: encarar a realidade pelo viés negativo de que nada pode ser feito e que estamos condenados, sendo mais conveniente e confortável manter as coisas como estão, o que assisto em grande parte de minha geração.
Ou colocar os dois pés no chão, ter uma visão de 360 graus, refletir e aprender com o passado, pensar no presente e discutir e debater o futuro para que possamos atravessar esse desafio de forma a nos fortalecermos e sairmos melhor do outro lado. Esse é o meu viés e esse é o viés deste site.
Nosso ponto de partida é o presente, porém é essencial refletirmos sobre o passado e aqui emendo com outro evento que ocorreu em um 22 de abril: Em 1949 circulou pela primeira vez em linha comercial os trólebus que ligavam o bairro da Aclimação com o centro.

O sistema de trólebus de São Paulo deve comemorar 76 anos nesse 22 de abril. A linha acima citada ainda existe e os trólebus continuam a circular, mas hoje ele é a sombra daquilo que já foi.
Há bastante o que se falar sobre o descaso com os trólebus, mas também muito há o que se falar sobre o descaso com as ferrovias, sobre os rumos da eletrificação de nossas vidas que ainda são absurdamente dependente dos combustíveis fósseis e deve ser promovido com urgência.
Também há de se falar do uso do solo e nossa relação com as cidades, além de questionar o futuro de nossas vidas em um mundo cada vez mais digitalizado onde o home office cresce e a inteligência artificial libera nossas inseguranças.
Tudo isso e muito mais deve ser abordado nesse site mas precisamos de um ponto de partida, e dado a ameaça de extinção de todo um modal de transporte pairando no ar, falaremos sobre os trólebus.